Enquanto os seres humanos ainda não o eram, enquanto os animais ainda não habitavam esta terra farta e nenhuma forma de vida pensaria ainda em existir, mesmo que microscópica... Para que entendam melhor, no nada existia o Tudo, um todo absoluto que engloba a energia que transcende esse "multiverso".
A energia primogênita dividiu-se, tendo consigo um grande conflito, que veio a dividi-la por mais uma vez. A energia agora que não mais é uma e sim três partes de si mesma, da forma, molda, se choca, contrai e expande em velocidade tão extrema que nem poderíamos contabilizar como um fato existente. Dessas três fontes de energia gerou-se uma grande explosão, que foi a responsável pela geração da matéria, osso, carne, veias, pelos, olhos, bocas, plantas, animais, fauna flora e tudo o mais que conhecemos. Mas não foi tão simples assim...
Milhões de anos foram necessários para comprimir e expandir essas energias entre si e moldar a matéria, e é claro que ainda assim não seria tão simples, uma quarta energia que engloba as três surge durante a explosão. Muitos dizem que ela é a “realidade”. Mas não vamos nos estender sobre isso.
As três energias envoltas numa quarta tiveram um nome, assim como tudo o que existe o tem. Para que seja um nome compreensível o explicitarei aqui na sua língua mortal: “Cryon”.
Cryon concentrou sua energia na criação, criou seres imortais e fantásticos, no entanto um pouco entediantes, pouco capazes de render-se aos sentimentos. Por isso os animais foram criados, belos, puros, simples, sem sentimentos. Não bastou. Foi então que veio você, eu... Eu, na verdade, não, mas suponhamos que eu também seja um de vocês, simpatizo muito com vocês até. Mas isso é outra estória.
Mesmo assim os fatos são diferentes dos que sabemos, Cryon não criou dois seres humanos, nem muito menos criou primeiramente o homem e depois sua companhiera. Foi justamente o contrário. Cryon criou o ser mais belo existente, a mulher, Gaia. A primeira mortal. Acabou por desejá-la. Talvez se mantivesse sua onipotência no multiverso isso não teria lhe acontecido, mas isso também é outra estória. Cryon acabou por render-se aos encantos de Gaia, suba mais bela criação. Quanto viu que sua santidade e pureza foram abaladas, Cryon enfureceu. Gaia foi vítima da ira de seu próprio criador e primogênito amor.
Cryon arrependeu-se de seus atos, primeiro o da criação de um ser tão belo e sedutor, o segundo foi o de tê-la consumado. Mas isso não impediria de puni-la como deveria, seus semelhantes dormiriam em teu seio, beberiam entre os fios de seus cabelos e comeriam no teu umbigo. Eternamente. Sim, seu corpo tornou-se o habitat de sua própria raça, raça essa que coexistiu bem durante certo tempo. Mas que, posteriormente, seduziram, estragaram, macularam o corpo de Gaia, assim como Cryon sentiu-se, fez com que Gaia se sentisse também.
Seu corpo é o lugar que destruímos poluímos usamos e abusamos sem ter qualquer ressentimento. Sim, Gaia é a Terra. Degradamos e violamos teu corpo dia-a-dia, torturando-a pela eternidade. Não propriamente "Nós", eu dira "Vocês", mas isso não importa. O importante é que a raça semelhante a Gaia teve sua continuidade, Cryon criou o homem para dar companhia a sua criação, e os tornou mortais, para não correr o risco de cair em tentação novamente. Em pouco tempo o corpo de Gaia fora completamente tomado pela humanidade.
Com o surgimento da raça humana tudo mudou, todas as atenções voltaram-se para a terra, este universo começou a movimentar e gerir-se de maneira diferente. O foco principal de tudo foi à raça que é a imagem e semelhança de Cryon, o Tudo e o Nada, o Nada preenchido de Tudo que engloba todos os outros saberes e aspectos existências.
Tudo iria bem, os humanos amavam-se, detestavam-se, comoviam-se, criavam vínculos afetivos. Nada disso jamais foi visto antes, a não ser por razões meramente pro - criativas. Cryon preferiu assumir uma forma definida e residir mais próximo dos humanos. Habitar os sete céus com seus discípulo foi à ideia perfeita. No entanto nem foi tão boa assim. Seu discípulo mais prestativo deixou-se consumir por um sentimento, o que é totalmente incomum. Sim, a inveja da raça humana tomou conta de “Cártaghus”, ele gostaria de ser tão amado e mimado quanto os humanos. E gostaria de ter os poderes necessários para interferir em seu livre arbítrio.
Uma legião de discípulos formou-se a favor de Cátaghus, que achou muito normal reivindicar o domínio sobre a raça humana e também os poderes necessários para tal. Sem ao menos perceber que isso iria de contra seu criador. O pedido lhes foi negado, o ódio cresceu em Cártaghus, que organizou seus seguidores para uma batalha, uma verdadeira guerra para tomar o poder dos sete círculos celestes. Dessa batalha nada de bom haveria de sair não é verdade?
Os Céus tremeram, rangeram e romperam-se em águas. Enquanto a batalha milenar era travada o corpo de Gaia se inundava e os mortais morriam as mínguas, afogados nas lágrimas dos Anjos. Como vocês mesmos costumam dizer - "A Batalha pelo Domínio do Tudo" - Cryon jamais deixaria tal ato abominável sem punição. Cártaghus foi lançado as entranhas de Gaia. Que o aprisionaria para sempre em seu ventre. No entanto, ao chegar em seu ventre viu que Gaia possuía um fruto, o fruto do ato consumado por ambos. Sim, um filho, uma filha para ser mais exato. Em sua língua a chamam de "Cártaga".
Cártaghus profanou, violou e corrompeu corpo e mente de Cártaga até restar-lhe somente o “Amor” e influência de seu irmão. Porquê? Hora essa, porque Cártaga haveria de ser gerida como qualquer outro ser. Gaia pariu a filha do mal fruto, Cryon observou, mas jamais pudera imaginar como Cártaghus agiria. Cryon, aquele que tudo vê, tudo sabe e a todos engloba. Porém, desleixo é um defeito que tange até o maior de todos os Deuses pelo visto.
Nada saiu como o esperado, Cártaga está a solta disseminando os ideais de Cártaghus e em breve poderá libertá-lo do ventre de sua mãe, mas não sem matá-la primeiro. Vejam bem meus queridos, o Deus todo poderoso que consumiu sua cria e depois a condenou por isso está repensando seus atos neste momento. Sua filha concebida contra sua vontade praticou incesto com seu irmão exilado dentro do ventre da própria mãe. No entanto fica difícil acabar com seus planos, já que, seu nome é mais pronunciado que o do próprio Deus.
Só resta uma coisa a fazer... Você vai meso perguntar o quê, não é mesmo? Tudo bem, eu digo a você. Só restou a Cryon abandonar os céus e ir cara a cara para essa batalha. Cryon lançou-se a terra como filho de si mesmo, o homem que jamais se deixará corromper e a todos arrebatará no dia do juízo final, o dia que Cártaghus ( A besta) será liberto...
Ponderem seus atos meus amigos, revejam seus conceitos, pois todas as ações do princípio estão sendo revistas, Cryon já se redimiu de seu primeiro e único erro, mas nós não. Quem seguir pelo caminho oposto ao dele será julgado e não serei eu o primeiro paspalho a fazê-lo. Agora vou fumar minhas folhas silvestres das profundezas de Aquárius e tomar mais uma dose de Germinale... Até mais ver.
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Prólogo – A Lenda de Cártaga:
Rege a lenda que antes de Cártaga ser uma nação caótica e dividida por tantas crenças, raças e xenofobias possíveis, era um Reino próspero e unificado, regido por Abdon. Suas principais características eram, à comunhão entre religião, economia e língua únicas. Todos eram crentes num mesmo Deus denominado “Aghor”, atualmente não passa de um Deus esquecido. As cidades-estados, cidadelas, condados e capitais existiam apenas como endereço, apenas nomenclatura para que não se caísse na desorganização. Sendo assim, a economia tinha um capital de giro e distribuição de renda perfeitos. Não existiam mais escravos, preconceitos, religiões ou línguas diferentes. As cidades maiores que produziam mais alimento e por tanto geravam mais renda, repassavam parte de sua renda e variedade de alimentos para as cidades menores. Tudo era perfeito! Abdon era tão uno com seu povo que não residia em castelos. Mudava-se constantemente, de cidade em cidade, vilarejo em vilarejo, rodava o mundo em busca de aproximação com seu amado povo. Não é atoa que a Língua comum existe até os dias de hoje.
Como todos amavam Abdon em demasia procuraram todas as formas de mantê-lo vivo e no poder por mais tempo. Magos, feiticeiros e até mesmo pessoas que se diziam anjos iam visitá-lo freqüentemente, prometendo objetos mágicos, poções e elixires que prolongariam sua vida. Há relatos que afirmam a longevidade de Abdon, escritos, medalhões e carimbos reais provam datas de sua existência por 343 anos.
Mas se era um Reino tão próspero, solidário, pacífico e unificado, como acabou neste caos que todos conhecem atualmente? As lendas dos antigos guardiões do Livro do Tempo se espalharam aos quatro cantos do reino de Cártaga, e essa é a versão mais contada até os dias de hoje pelo menos:
A lenda diz que Abdon conseguiu fazer com que seu povo chegasse à comunhão e união espiritual perfeita. Sendo assim, ele almejava uma visita ou pelo menos um sinal de Deus (“Omnes”). Esperava ser admirado por “Omnes”, elogiado pelo bem que fez em seu longo reinado.
Como não obteve respostas ou sinal algum Abdon resolveu então reunir todo o reino e construir uma imensa torre. Torre essa, tão alta, que os levariam até os portões do Céu. A finalidade desta torre era para que pudessem finalmente conhecer Deus (“Omnes”). Dizem que “Omnes” se revoltou contra a audácia de Abdon e o castigou fazendo com que todas as pessoas começassem a falar em línguas distintas. Como as pessoas não conseguiam mais comunicar-se, a torre começou a ser construída de maneira errada. Bastaram alguns dias para que a construção de proporções faraônicas desmoronasse matando praticamente todas as pessoas que dela participaram (inclusive Abdon).
Dizem que Cártaga era o princípio do mundo, tendo apenas um continente, mas com a queda da torre gigantesca a terra dividiu-se em vários fragmentos, que são os continentes que conhecemos atualmente. Apesar de ser apenas uma estória, é a explicação mais conhecida da história da formação da Terra, muitos não acreditam, preferem acreditar e fazer oferendas a vários Deuses que crer num único Deus.
Os antigos acreditam que Abdon não morreu e voltará para tomar posse de seu tão precioso Reino novamente, outros o julgam um Deus e crêem em seu arrebatamento no dia do juízo final e outros o condenam como Satã ou filho de Satã.
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Divisão dos Reinos (principais cidades-estado): Após a queda da grande torre a terra dividiu-se em continentes e passou a possuir nomenclaturas a partir de cada etnia e crenças que moldaram os respectivos continentes:
- Cártaga. Corresponde ao que é hoje a América do Norte.
- Lunae. Corresponde ao que hoje são: Antártida, Alaska, Pólos Norte e Sul.
- Aquarius. Corresponde ao que é hoje a Oceania.
- Tellendör. Corresponde ao que são hoje a América Central e do Sul.
- Steelburn. Corresponde ao que é hoje a Ásia.
- Enoch. Corresponde ao que é hoje a África.
- Baneland. Sem definição.



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